Desvantagens do Facebook

Não há dúvida de que o Facebook é um dos maiores fenômenos de popularidade na Internet com milhões de utilizadores em todo o mundo. A rede social pode ser usada como ferramenta de trabalho ou como ferramenta de lazer, mas, embora tenha vantagens em cada um destes tipos de uso, também tem desvantagens.

Abaixo pode ver o documentário Vítimas do Facebook que mostra algumas das desvantagens do Facebook e Twitter, e situações onde, devido a estas redes sociais, várias pessoas tiveram as suas vidas ou carreiras prejudicadas. A maior parte destes problemas deveram-se às ações e atitude dessas pessoas, por não perceberem que quase tudo o que se publica em páginas na Internet pode ser visto por qualquer pessoa, incluindo perfis e informações pessoais, além das opiniões e comentários que os utilizadores deixam nas páginas de outras pessoas.

Em alguns casos isto pode até ser bom, ao levar a que sejam encontrados criminosos, por exemplo. A rede social é uma ferramenta, e como qualquer ferramenta, não é boa nem má por si mesma, o que a faz boa ou má é o uso que você decidir dar-lhe.

Traduzi de espanhol para português os primeiros 14 minutos deste documentário que, neste vídeo, está dobrado de inglês para espanhol. A página do vídeo no YouTube tem a transcrição (automática) completa.

Vítimas do Facebook

Cada vez é mais frequente que Facebook seja usado para partilhar informação sobre futuros eventos. Casamentos, reuniões, concertos, festas.

Há pouco tempo atrás uma jovem alemã anunciou pelo Facebook aos seus amigos que iria fazer uma festa de aniversário para os seus 16 anos. Esqueceu-se de tornar o convite privado, e este pôde ser visto por todos no Facebook. Compareceram milhares de adolescentes. Os desesperados anúncios públicos da família sobre o cancelamento da festa não produziram resultados. O Facebook fez a magia de reunir as pessoas. “Soube pelo Facebook que havia uma festa aqui mas não entrei”. A jovem aniversariante, Tessa, não estava presente. Tinha ido para casa dos avós naquela manhã. Um descuidado clique no Facebook, um lapso momentâneo de uma adolescente, e uma vida inteira no Facebook .

Todos os dias milhões de convites, fotos, e mensagens potencialmente perigosos são publicados no Facebook para que todos os vejam. E quando se publicam opiniões privadas, muito cuidado!

Dia do casamento de Guilherme e Kate, abril de 2011, uma ocasião solene. E um momento de pompa para os regimentos das forças armadas britânicas, entre eles a muito condecorada guarda escocesa. Ser escolhido para servir num dia como este é uma grande honra. Um jovem guarda que não foi escolhido foi Cameron Reilly, de dezoito anos, e tudo devido a algo que publicou na sua página do Facebook. Com uma inaudita falta de sentido comum e para que toda a gente o visse, Reilly chamou a futura noiva de “vaca presumida” […]. Por essa indiscrição, Reilly foi retirado do serviço para o casamento real. É um episódio que o perseguirá por toda a sua carreira militar ou o que resta dela.

Outro britânico que talvez tivesse preferido guardar a sua opinião para si, é o contabilista de 26 anos, Paul Chambers. Ele comprou um bilhete de avião para viajar desde um pequeno aeroporto regional até Belfast para visitar a sua namorada. 9 dias antes da viagem, o aeroporto ficou encerrado devido a uma tempestade de neve. Chambers decidiu enviar ao aeroporto um pequeno aviso através da sua conta de Twitter dizendo que, se não resolvessem a situação numa semana, colocaria uma bomba no aeroporto. Má ideia senhor Chambers! Devido à rede pública usada para transmitir o tweet, este chegou ao pessoal do aeroporto e eles não entenderam a piada. Chambers se converteu na primeira pessoa processada no Reino Unido devido à legislação antiterrorista devido aos seus comentários no Twitter. Devido a todo o reboliço causado ainda acabou por perder o emprego de contabilista. Mas em que estaria ele a pensar?!

Clive Thompson é jornalista freelancer, é especialista em internet e em como está a mudar a forma como documentamos a nossa vida. “Vês a gafe desse jovem e o primeiro que pensas é que é preciso ser idiota. Mas também vez que o problema é que vivemos numa sociedade em que que se dizes algo, apenas os que estão contigo vão saber, mas se o dizes online todo o mundo vai saber, e isso foi o que esse jovem não teve em conta.” No final o juiz impôs a Chambers uma multa equivalente a 1200 euros e o proibiu de voltar a pisar o aeroporto. Chambers respondeu a sua sentença com outro tweet: “Agradeço à coroa os seus esforços para lixar a vida a um cidadão comum. Adoro a Grã-Bretanha.”

Os cidadãos comuns não são os únicos que cometem deslizes nos meios sociais, também ocorre nas altas esferas do poder e a pessoas que imaginaríamos serem mais cuidadosas com os seus tweets, mas resulta que não é assim. Um exemplo, um congressista estado-unidense que descobriu do modo mais desagradável possível que twittar uma foto da sua… Masculinidade, era um erro garrafal. Como é inevitável, o congressista viu-se obrigado a pedir demissão, e todo o mundo meneou a cabeça e se perguntou em que ele estaria pensando. O certo é que muitas pessoas, ao que parece, não pensam antes de enviar um tweet ou de publicar algo no Facebook e correm um risco enorme. Porque nunca sabes na verdade quem são os teus amigos.

No tranquilo coração da campina inglesa tem lugar uma batalha. É uma guerra mundial pela privacidade e pela informação pessoal. Dentro deste edifício moderno e feito por medida, uma empresa intercepta vírus de todos os tipos. A tarefa da empresa é proteger algumas das maiores companhias mundiais e organismos governamentais dos ciberataques. Todos os dias nesta empresa se veem as desagradáveis consequências dos descuidos das pessoas com a informação privada. Graham é um dos especialistas da empresa em tecnologia, parte do seu trabalho é estar muito atento ao Facebook. “Muita gente não entende que o Facebook não se faz por altruísmo, é um negócio, e nem sequer é grátis, uma pessoa pode pensar que não o paga, mas sim, paga. Paga com os seus dados. Dás-lhe informação pessoal que é um produto para o Facebook e pode vendê-la a outros, assim na realidade tu és um produto que o Facebook está a vender.”

Tu, o produto! Junto com a tua data de nascimento, o que gostas e o que não gostas, o teu correio eletrônico, os teus interesses e paixões. Na empresa suspeitavam que, quase sempre, os usuários do Facebook são demasiados liberais ao ceder dados pessoais. Para o demonstrar criaram uma página do Facebook para uma rã de plástico. E convidaram duzentas pessoas desconhecidas e adicionarem-se como amigos. Quase metade deles se apressaram a partilhar a sua informação privada com a rã Freddie. O seu nome completo, a sua lista de amigos, a sua informação acadêmica, etc, etc.

O grande problema e que as pessoas não entendem que os dados privados são privados por um motivo. Uma vez que estão na internet já não se podem apagar. Estão na rede para sempre. Já não há remédio, perdeste-os, e qualquer pessoa os poderá roubar no futuro. Ocorre constantemente, os piratas e trapaceiros informáticos roubam a identidade de outras pessoas para ganharem dinheiro; é cada vez mais frequente nos meios sociais. Sempre acontece que quando surge uma inovação técnica os primeiros que sacam proveito dela são os delinquentes porque lhes da um nova forma de chegar aos demais para os enganar e trapacear. Tal como acontece com as trapaças por correio eletrônico, agora está a contecer com o Facebook.

Bryan Rutberg sabe um par de coisa sobre as trapaças pela internet. Durante anos trabalhou na Microsoft como diretor de comunicações. Em 2009 a sua página no Facebook foi sequestrada por um especialista hacker. “A minha filha está a fazer os deveres no sofá. Quando terminou entrou na sua página do Facebook e viu que o meu estado havia mudado para Bryan Rutberg necessita ajuda urgente”. Então perguntou-me se tudo ia bem e eu disse-lhe que sim.

Claro que nem tudo ia bem, o hacker estava contatando um a um todos os amigos de Rutberg no Facebook e dizendo-lhes que tinha um problema grave: “Atacaram-me a ponto de pistola em Londres e estou aqui com sharon e as crianças”. Até sabia como se chamava a minha mulher porque era um dos meus amigos no Facebook e tinha visto uma das minhas fotos. Senti-me pessimamente porque sabia que quem se tinha apoderado da minha página tentaria chegar a todos os meus amigos; ia ser uma dor de cabeça, e senti-me mal pelo susto que teriam os meus amigos.

O sequestrador da página de Rutberg foi tenaz, em pouco tempo encontrou a alguém disposto a enviar dinheiro a um amigo do Facebook com problemas. Benny, antigo amigo de Rutberg ofereceu-lhe ajuda. “Enviou-lhe 1200 dólares em dois pagamentos diferentes mediante o Western Union e alguém foi ao escritório do Western Union e cobrou o dinheiro usurpando minha identidade.”

Este tipo de trapaça teve a sua origem à seculos, durante o reinado de isabel I. Por aquela época convenciam as vítimas a enviarem dinheiro para libertar compatriotas ingleses supostamente presos em masmorras espanholas. Conhece-se como o “golpe do prisioneiro espanhol”. E quatrocentos anos depois os trapaceiros modernos puseram-no em prática no Facebook. De toda a internet, o Facebook é onde mais rápido cresce a ciberdeliquência. Há mais delinquência, correio lixo, trapaças, e vírus em Facebook do que em qualquer outro lugar. Se uma pessoa quiser aceder ao centro mundial da ciberdelinquência, na atualidade é Facebook.

O Facebook respondeu que o meu caso apenas acontece a 1% dos seus usuários. Mas se te pões a pensar, até então tinham 250 milhões de usuários, e 1% são 2,5 milhões! São muitas pessoas a quem sequestraram a página ou que têm amigos a quem a roubaram, e os trapacearam. Há muitas pessoas que ainda não entendem quão público é o Facebook. Parece-lhes privado mas não é, é publico, e até há pessoas que não compreendem que o seu perfil é totalmente público, porque o podes encontrar no Google, portanto podem estar publicando coisas não apenas para os seus amigos mas para todo o mundo sem o perceberem.

Lockport é uma pequena localidade no norte de Nova Iorque. Como em todas as terras pequenas toda a gente se conhece e a polícia realiza o seu trabalho mais ou menos à antiga. Mas desde há alguns anos o capitão Richard Podgers adaptou-se sem problemas a um mundo no qual muitas pessoas partilham todo o tipo de informação no Facebook. Não sei se as pessoas sabem quanto a polícia usa os computadores. É um bom esconderijo para alguns, mas aos incautos os apanhamos.

Vamos a conhecer o caso de um delinquente incauto, e como o apanhou a polícia mediante o Facebook. Definiria o senhor Chris como alguém em contra da ordem estabelecida, é um homem alto, muito musculoso, e forte. Em 2009 Chris cometeu uma grave agressão num bar de Lockport. Irritou-se ao ver a sua ex-namorada com outro homem e tornou-se violento. Este senhor golpeou ou a vítima com o punho e com um objeto perigoso – uma garrafa de cerveja ou um copo – e causou-lhe graves lesões na órbita ocular. No estado de Nova Iorque as lesiones físicas graves com um objeto perigoso são qualificadas como agressões de segundo grau, o que é um delito grave.

Ao senhor Chris detiveram-no e processaram-no. Acedeu a acatar a sentença mas saiu da cidade antes de ser sentenciado e converteu-se em fugitivo. A Richard Podgers calhou a tarefa de o encontrar. Chris não tardou em entrar no Facebook provocando a policia e o homem que ele havia agredido. Não podem fazer-me nada enquanto não estiver em Nova Iorque […] Chris estava tão seguro de que ninguém poderia apanhá-lo que se tornou descuidado com o que publicava no Facebook. Descobrimos que trabalhava como tatuador em Indiana, e através das publicações na sua página, identificou o lugar onde trabalhava. Então procurei o site na internet, telefonei, perguntei quando trabalhava este senhor e me deram o seu horário.

Graças às publicações de Chris no Facebook, acabou detido e foi levado ao estado de nova Iorque para ser sentenciado. Se não fosse graças a que o senhor Chris nos disse onde trabalhava e em que cidade, teria sido muito difícil dar com ele. Se o visse creio que o único que faria seria agradecer-lhe por toda a sua ajuda.

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