GearBest

Filme Rabies (2010)

Ontem vi um bom filme de terror israelita chamado Rabies (2010) e antes que você grite “filme de terror israelita bom?! Não pode ser! Filmes de terror bons só japoneses!” eu consegui escrever esta frase toda. Isto é porque sei como colocar as mãos no teclado… Ah, e este artigo tem spoilers então leia-o de olhos bem fechados!

Mas voltando ao filme o nome original é Kalevet (será que significa Raiva?) e pelo que li em alguma análise do filme Rabies acho que ele é o primeiro filme de terror israelita então eu diria que é um bom começo e espero ver mais filmes assim no futuro. Mas antes de mais tenho de dizer que ele não é o típico filme de terror e é isto que o torna interessante.

Há outros filmes que também são bons pelo facto de fugirem aos caminhos habituais que o espectador espera como o PRIMER (2004) ou o HEAD HUNTERS (2011, não de terror) e deste também gostei bastante e talvez fale dele em outro artigo.

Eu tento seleccionar os filmes que vejo para reduzir as decepções e aproveitar o tempo para ver os melhores (afinal há tantos) e quando vejo algum já sei que em princípio me vai agradar. A primeira coisa que me despertou o interesse por ele foi o título Rabies (Raiva), pois julguei que seria algo com zombies ou alguma infecção terrível que transformasse as pessoas em assassinos comedores de cérebros (!), algo como PLANET TERROR, RESIDENT EVIL, etc. mas afinal estava enganado.

O Rabies começa por parecer o típico filme de terror com um assassino que captura e tortura mulheres jovens e atraentes (porque é estes assassinos nunca se interessam por mulheres velhas em cadeiras de rodas?) com uma mulher presa no que parece ser um buraco no chão com um alçapão numa antiga reserva florestal: Nós não sabemos quem ela é nem como foi lá parar:

Imagem do filme Rabies (2010)

O irmão fala com ela desde o lado de fora tentando acalmá-la: “-Você não foi aprisionada, provavelmente caiu numa armadilha para coelhos. -Uma armadilha deste tamanho?! -Sim, para coelhos… gigantes como o do Donnie Darko.” Ok, a conversa não termina assim, eu inventei isto agora mesmo, e você terá de ver o filme para conhecer a conversa real…

Mas a semelhança com o típico filme de terror para adolescentes termina (quase) por aqui (este “quase” foi devido às conversas de sexo e mulheres em cuequinhas… afinal estes elementos têm de estar sempre presentes, acho que até está no manual de “como escrever guiões para filmes de terror adolescente”) pois aquele que nós pensamos ser o assassino que irá atormentar as vidas dos jovens durante todo o filme nunca mais é visto depois destas cenas e só reaparece numa cena nos créditos finais.

E já que falei em florestas e antes que me esqueça tenho de recomendar uma comédia muito boa que vi recentemente que é o TUCKER E DALE VS EVIL (2010). Mas voltando de novo ao Rabies…

Depois o irmão da vítima vai procurar ajuda e aqui começam a aparecer vários personagens que irão fazer a história dirigir-se por alguns dos caminhos mais terríveis e violentos das interacções humanas…

Temos um grupo de quatro jovens amigos tenistas, dois homens, duas mulheres, que viaja de carro procurando um destino qualquer que não recordo qual é mas que acaba perdendo-se e chegando à tal floresta onde irão viver um dia para esquecer, ou melhor: um dia para nunca esquecer!

Imagem do filme Rabies (2010) - Shir e Rona

Embora diferente, o Rabies mantém alguns dos factores de interesse neste tipo de filmes: duas jovens, uma morena e uma loira, correspondendo ambas aos ideais de beleza feminina actuais. (quando irão começar a usar mulheres idosas em cadeiras de rodas para estes papéis?!)

Coisas que fazem o filme Rabies diferente / original

Depois de anos vendo filmes de terror, sobretudo americanos já estamos habituados a uma série de “clichés” que sempre acontecem, mas aqui este Rabies consegue evitá-los e ser original mostrando que eles são de facto desnecessários:

  • Todo o filme se passa durante o dia, e quase todo na floresta.
  • Não há assassinos deformados (HOUSE OF WAX e SEVERANCE?) na sombra nem criaturas misteriosas que passam rapidamente em frente à câmara (ALIEN), nós sempre vemos tudo o que há para ver (não estou a pensar na cena da loira Shir baixando as cuequinhas… ou melhor não estava até agora).
  • Não há um assassino impossível de matar que sempre reaparece depois de já ter sido “morto” (CHROME SKULL), aqui quem é morto continua morto!
  • Não há sustos em falso (SCREAM), como por exemplo um gato saltando de trás de um móvel (alguma sequela de NIGHTMARE ON ELM STREET) ou um ramo de árvore roçando numa janela… A bem dizer numa floresta é difícil encontrar móveis, gatos, ou janelas… Em compensação, árvores há bastantes!
  • Não há esguichos de sangue por todo o lado (GRINDHOUSE PLANET TERROR), embora ainda assim, a partir de certo ponto ele passe a estar sempre presente.
  • Não há daqueles momentos onde a potencial vítima se volta subitamente para dar de cara com o assassino que estava o tempo todo por detrás dela.
  • Não há uma cena com o homem Rambo lutando com o assassino enquanto a mulher assiste a um canto e que depois faz de enfermeira tratando as feridas do herói.
  • Não há a habitual cena da mulher no chuveiro. (será por estarmos numa floresta?) O mais próximo é o “alívio” da Shir mas não vou fazer piadas de mau gosto com a palavra “chuveiro” aqui…
  • Embora várias vítimas sejam mulheres jovens atraentes nenhuma se lembra de começar a correr, para depois tropeçar e cair. Mesmo que tal lhes seja dito com insistência, como de facto acontece no filme (toque de génio do guionista?).

Coisas de que gostei no Rabies

  • O polícia ferido mortalmente mas que ainda pode conduzir consegue arrastar-se até casa para apagar as mensagens telefónicas que havia deixado à mulher, em vez de tentar arrastar-se até um hospital.
  • Chame-me pervertido mas gostei do abaixar de cuequinha da Shir (não vou ao ponto de dizer que é uma das 5 coisas mais sexy que as mulheres fazem), embora depois a cena tenha sido estragada com o plano mostrando a mulher por trás, acho que era desnecessário.
  • O irmão protector da primeira vítima acaba exercendo justiça e vingança… mas matando o homem errado. Também gostei de como ele se aproximou cambaleando antes de atacar.
  • A conversa /discussão entre o casal que surge de carro nos momentos finais.
  • As imagens de cada personagem nos créditos finais (depois tem ainda uma cena durante os créditos com o assassino que nunca mais tinha sido visto desde as primeiras cenas).
  • O uso de uma arma de dardos tranquilizantes em vez de munição real (o Ranger com o cão); e do uso da mira telescópica dela para reconhecer o terreno pois esta possibilidade nunca é usada em filmes onde aparecem armas com miras telescópicas.

Coisas de que não gostei no Rabies

  • Foi dada demasiada importância às necessidades fisiológicas da Shir durante toda a primeira metade do filme, começando logo com a primeira tentativa falhada dela se aliviar na floresta porque “não se conseguia concentrar”, ao que o amigo disse algo como “não é como se estivesses a ler”.
  • A cena do abuso do polícia a Shir durou demasiado tempo até que alguém fizesse alguma coisa. E é frustrante pensar que no mundo real situações de abuso como a do filme acontecem sem que seja feito nada em relação a isso.
  • Fiquei sem saber quais as restantes três coisas sexy que as mulheres fazem segundo a lista top 5 de um dos amigos.
  • A “morte por mina enterrada no chão”. Demasiado rápida! Nem dá tempo de sofrer um pouquinho! Mas pelo menos tem a vantagem de “despachar” rapidamente e de uma vez só várias personagens!

Leia também a minha mini análise ao filme Primer

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.